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Sul da Bahia – A Bahia redescoberta – Trancoso

Sul da Bahia

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Sul da Bahia – A Bahia redescoberta

trancoso
Trancoso foi a primeira a cair no gosto dos viajantes exigentes. Agora você precisa conhecer a Praia do Espelho, Caraíva e Corumbau, entre outras preciosidades deste trecho do litoral baiano.
Há exatos 130 anos fez-se a luz.
Que fique bem claro: a luz elétrica. Daquela feita, se o leitor permite o trocadilho, o Brasil teve a idéia luminosa de logo aderir à novidade. Apenas um ano depois da invenção, as primeiras lâmpadas foram acesas numa estação de trem do Rio de Janeiro. No sul da Bahia, porém, a revolucionária criação de Thomas Edison demorou a pegar. E como. A Praia do Espelho conta com esse benefício há menos de duas décadas. Antes disso, devido ao isolamento, não dava nem para fazer um gato ou ligação clandestina, se o vulgo lhe incomoda. Corumbau só aposentou os lampiões quatro anos atrás. Em Caraíva, a luz elétrica é ainda mais recente. Completou o primeiro aniversário em junho. Não teve velinha de comemoração. As velas eram uma presença incômoda.
Seria tolice imaginar que outras vibrantes bolações da humanidade haveriam de permanecer às escuras no decorrer de décadas nesse litoral. Ainda assim, a rapidez das mudanças surpreende a quem descobre na Praia do Espelho uma pista de pouso maior que a do Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Ou fica sabendo que as principais pousadas de Corumbau mereceram a capa das edições italiana e alemã da Elle, além de reportagens na Wallpaper e Tatler todas elas revistas para decorar mesa de centro de sala de visitas. Até a diminuta Caraíva (1.500 moradores), recém-saída do breu, caminha nessa direção. Abrira um condomínio fatiado entre artistas globais. Já Trancoso, que ainda não havia entrado nesta reportagem, é tão chique que a primeira ligação recebida por seu pioneiro orelhão veio de Paris.
trancoso1 Trancoso tornou-se o modelo para as demais praias dessa fração baiana. Todas querem ser Trancoso. Todas pretendem seguir sua bem-sucedida receita de misturar dois opostos o luxo e o simples sem entornar o caldo. O intento é manter a aparência caiçara e, ao mesmo tempo, elevar ao máximo o requinte e, muitas vezes, também os preços.
Pois bem, em meados dos anos 60, os moradores da vilinha fundada pelos jesuítas mal conheciam a moeda nacional. De manhã, soltavam as galinhas e as crianças. No fim da tarde, recolhiam. Eis que alguns anos depois surgem os hippies-chiques (os descolados) e os hippies de fato (os deslocados). Quase todos paulistas. Mesmo ainda sem o auxílio do orelhão, logo espalhou-se a notícia da existência de um lugar deslumbrante, escondido a 30 quilômetros de Porto Seguro.
A informação procedia. Não era apenas especulação, em hora tenha virado assunto de especuladores. Quase todos paulistas. Antes que eles pusessem a mão no bolso, os hippies-chiques, mais rápidos no gatilho, compraram as terras. Graças a esses hippies — agora bem mais chiques, embora ainda ripongas de coração, Trancoso manteve sua área nobre: o encantador Quadrado, com duas fileiras de coloridas casinhas de pescadores, sombreadas por amendoeiras e separadas por um largo, no topo de uma falésia. Do alto desse platô, divisa-se a praia, o mar e, ainda, o estuário de um riacho, irretocável locação para algum anúncio publicitário.

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