Quegi

Fotos,humor, noticias, atualidades…

Conto de Pery

pery

Drica era uma adolescente com planos mirabolantes. Aliás, planos mirabolantes às vezes não são assim tão mirabolantes. Muitos são até coisas triviais para quem realmente, no consenso geral, tem planos mirabolantes.

Ela queria namorar o máximo possível de rapazes para depois escolher um, em definitivo. Escrevia isso em seu diário. Confidenciava isso com Albertina, a prima três dias mais nova.

Lógico, Drica preservaria seu bom nome. Galinhagem não era necessariamente o comportamento que ela queria fôsse atribuído a ela. Evitaria namorar, ao máximo, em terrenos próximos, numa geografia centrada. Diversificaria logradouros.

Criada dentro da tradição cristã-ocidental, Drica tinha dentro de seu pequeno e jovem coração a noção de pecado. Sabia o catecismo. Sabia os 10 mandamentos. COnhecia os pecados capitais. Sabia ter um anjo da guarda. Rezava todas as noties e a cada momernto em que a oportunidade surgisse, normalmente associada a um problema desses enormes, que só os adolescentes tem. Provas, coisas prometidas pelos parentes mais velhos, pequenas rusgas em casa. Possibilidade de alguma punição por não haver cumprido tarefas. Problemas enormes.

Mas aventurar-se mirabolísticamente estava em seus planos. E ela iria cumprí-los. Pesou as consequências. Se o namoro deixaria manchas em sua branca alma. Mediu, junto com a prima Albertina, até onde poderia ir com cada namorado que tivesse. O que mancha e o que não mancha a alma.

Bem, seu primeiro namorado da série Planus Mirabolantibus foi Godofredo.

Esqueci de contar. Drica tem 15 anos.

Bem, Godofredo, aos 16 anos, já havia livro uns três livros inteiros. Algumas revistas em quadrinhos. Tinha wii em casa. Celular com poucos mas eficientes recursos. Não sabia beijar. Tinha medo de navegar em páginas pornográficas na internet, no único desktop de casa, compartilhado com o pai, a mãe e as duas irmãs menores. Chegou a ficar mais de 5 horas verificando se uma página com pornô pesadão ( no entender dele ) não havia ficado gravada, registrada, no diretório TMP, TEMP, se havia cookies. Um terror. Nada havia ficado registrado.

Drica e Godofredo começaram a namorar numa tarde de outono. Ela, estrategicamente, flertou com o rapaz alguns dias depois de escolher no mapa do bairro uma determianda rua que não deveria repetir. Ele, menino civilizado cristão-ocidenteal, com noção de pecado em seu coração, era pura torrente de hormônios contidos pela civilizatória moralidade.

Entre medo de avançar, a timidez, ao primeiro e rápido beijo, transcorreram duas semanas.

Lucas e Josevaldo moravam duas ruas além de Godofredo tendo como referência a casa de Drica. Lucas de 15 e Jo, como o chamavam, 14. Eram amigos inseparáveis de Godofredo. Em comum tinham outro amigo, Sirley. Eram vizinhos em casas contíguas.

O bairro onde todas essas coisas começaram a acontecer fica na Zona Norte da capital paulista. Ladeiras, comércio pequeno, alguns supermercados médios. Antigo, o bairro tem casas da virada do século XIX para o XX. A principal rua que corta toda a região chamava-se antigamente estrada do Bispo. Hoje é Conselheiro Moreira de Barros. Começa lá no final da avenida Cruzeiro do Sul e adentra o bairro do Lauzanne Paulista.

Não se pode peremptoriamente dizer que a crise mundial afetou a região. Afinal poucas pessoas que moram lá trabalham por lá mesmo. Assim, pulverizando o desemprego que neste julho de 2009 está na casa dos 8% a região não sentiu um baque forte com a quebra do mercado imobiliário americano. Na média, salvaram-se todos.

As escolas da região onde os fatos se deram dividiam-se entre as mediocres, as melhores do que mediocres e algumas que se salvavam. Nenhuma particularmente notável. Todas às voltas com disputas infinitas por alunos, por fidelizar clientela. Todas com passeios ao Hopi Hari com passaportes divididos em três de R$ 16,00. A meca da garotada, o passeio máximo que lotaria de fotografias o Orkut de todos era esse.

Ir ao cinema era raro. Chegar ao Center Norte era um tempo que ninguém queria perder.

Drica então estava namorando, e não ficando, com Godofredo. Ela o chamava de Fred. Aliás, todos o chamavam de Fred. Godofredo era um registro escrito, somente.

Bairro de classe média, B- pelo critério ABA/ABIPEME, tinha poucos pais com formação superior. A grande maioria era de executivos intermediários, técnicos assistentes, raros diretores de empresas de médio porte. A renda média das pessoas está na faixa dos 2 mil reais. Assim, é normal marido e mulher terem atividades remuneradas. O nível escolar equilibra-se naqueles lares paulistanos.

O pai de Drica era gerente de uma pequena indústria fresadora. Sua mãe trabalhava desde antes do casamento em uma pequena loja próxima ao largo de Santa Terezinha. Assim,com a avó materna dona Wanda, viúva havia 18 anos, Drica, filha única, dedicava os dias à escola, a algumas amigas e mais recentemente, a Fred, seu namorado. Juntando a pensão de sua avó, a família de Drica tinha uma renda média de R4 3 mil e quinhentos. Acima da média dos vizinhos e com mais sobras, afinal a casa onde moram é a mesma dos bisavós de Drica, constrída em meados dos anos 40, quando o trem da Cantareira era a melhor forma de sair e entrar no bairro, além do elétrico 44 que fazia a linha SAnta Efigência- Santa Terezinha.

As muitas reformas pequenas davam à casa um efeito de retalhos. Variados materiais e elementos de decoração que evidenciavam mais o impulso pela compra de materiais em oferta do que a um planejamento decorativo. Só para se ter idéia, a fachada da casa, térrea, era recoberta por azulejos planejados para piso de cozinha. Nem por isso os vizinhos admiravam e deixavam de querer algo semelhante. Até elogiavam o bom gosto de Áurea, mãe de Drica e a solidez do emprego de Paulo, pai da menina.

No alto do Tucuruvi viviam pessoas muito semelhantes às da área onde Drica passava sua vida. Exceto pelos conjuuntos residenciais que chamavam de condomínios fechados, uma solução esperta da indústria da construção civil que reunia piscinas e quadras poliesportivas, onde a renda faniliar era um pouco mais alta do que a média do bairro ao redor, em tudo era semelhante. O Tucuruvi também era atendido pelo trem da Cantareira em meados dos anos 60. O ônibus elétrico também era presente. Linhas vindas de outros bairros com ônibus sempre lotados ao máximo ( aquele bolo de gente pendurada na porta ) eram as razões da expressão “vou atrasar de novo”, a mais ouvida nos pontos ao longo das principais artérias do bairro.

Lá morava Maquininha. Com 13 anos era um dos mais atrevidos alunos da escola estadual do bairro. Acabnou expulso por espancar quejm quer que fôsse. Com 14 anos nem sua família aguentou o menino. O pai o atirou na rua depois dele ter agredido com uma cadeirada seu irmão mais velho, quebrando-lhe o nariz e causando ferimentos que custaram mais de 50 pontos no couro cabeludo. Antes já havia empurrado ao chão a mãe, o próprio pai, o avô. Fazia seus horários e impunha o seu ritmo de vida a toda a casa. Almoço, janta, elevisão. Era tudo ele que comandava. A família se encheu.

Tanto pela violência com que impunha sua vontade como pela liderança que exercia sobre os garotos do bairro, Maquininha era respeitado, temido, por garotos, adultos e nem os policiais gostavam muito de cruzar o caminho dele. Maquininha era unanimidade.

Drica e Fred namoravam conforme os planos da garota. Limitada pelas análises daquilo que proporcionaria manchas na alma, sempre em profunda e detida análise com a prima o máximo que permitira de ousadia a Fred, se é que podemos falar que o garoto é dotado de alguma ousadia, foi colocar a mão sobre seu seio. Alías, sobre a blusa, sobre o soutien. Rapidamente. Mesmo assim Drica ficou com o coração acelerado elevando seus pensamentos para que nenhuma mancha fôsse registrada em sua alma.

Foi sua prima que a tranquilizou. Disse que a iniciativa havia sido dele, do Fred, e não dela. E que por ela ter reagido ao carinho ousado, não deixado o menino avançar, ela havia conquistado pontos na contabilidade sagrada. Drica sossegou seu coração.

Fred, por outro lado, tímido, deixava a timidez de lado quando se tratava de imaginar Drica ou qualquer outra mulher que fôsse em assuntos eróticos. Limitado no uso de seu desktop por conta do uso comunitário em casa, usava as imagens do notebook que Sirley, o seu amigo, um Sony Vaio que ganhou do tio solteirão, e segundo alguns, homossexual. Lá Fred abastecia sua imaginação com imagens que garantiam masturbações às dúzias. Não se preocupava muito com sua contabilidade da alma. Sempre, aos domingos, ele confessava seus pecados na igreja de Santa Terezinha. Sempre pagava com 10 pais-nossos e 10 aves-marias.

Em estado de graça Fred e Drica encontravam-se na pracinha em frente à igreja, no primeiro canteiro, logo descendo as escadas. Ela não queria demonstrar o namoro em local tão público. Assim, só se cumprimentavam e caminhavam lado a lado. Mas isso bastava para gerar comentários entre os meninos e meninas de que algo estava acontecendo entre os dois. Não um namoro. Algo.

Batista é sargento, segundo sargento da Polícia Militar. Está na corporação há cerca de 15 anos. Entrou soldado. Cursou a escola de sargentos. Naquela terça, às 7h30, estava na sede da companhia em formação aguardando o capitão chegar com a ordem do dia. Ele sempre achava os oficiais da corporação imaturos para entender o dia-a-dia das ruas. Como soldado aprendera que é melhor ficar longe da ocorrência e aparecer quando ela estivesse acabada. Garantia de sobreviver. Quando a ocorrência pulava no colo o melhor eratentar pacificar a enfrentar tiros para tudo que é lado, enfrentar um louco que não seria vencido nem mesmo após receber vários tiros.

Sargento Batista já tinha ouvido comentários de que um PM combate mais do que um soldado na guerra. Afinal, todos os dias poderia encontrar inimigos. Na organização da polícia ele era classificado como combatente. Combates.

Nos 15 anos de profissão já vira de tudo. E por conta de sua profissão já frequentara mais de uma vez o psiquiatra da corporação e até mesmo um analista. Depressão já levara ao suicídio vários colegas. E já havia lido que sua profissão é uma das que mais causa transtornos psiquiátricos que invariavelmente levam seus portadores às tentativas de suicício ou mesmo à própria morte.

Mas, como dizia, louco por louco, ao menos o meu está garantido. Garantia para ele, a mulher e os três filhos ainda crianças. De 12, 9 e 5 anos. Casou um ano depois de haver entrado para a PM.

Quando o capitão entrou no pátio, o tenente gritou alto: atenção. A tropa perfilou-se e era possível ouvir o zumbido de um mosquito. Disciplinar militar. Na frente de seu pelotão Batista recebeu as ordens. Depois da tropa dispensada reuni-se com as quatro guarnições de ronda que estavam sob sua responsabilidade. Discutiua s ordens e todos partiram para a rua. Nem bem eram 8 horas as viaturas estavam rodando na Zona Norte de São Paulo. Batista e três PMs em uma Blazer reformada.

Pery, com seu nome e jeito índio, cabelos pretos escorridos e pele morena, gostava do apelido que lhe deram. Era batizado como Juscelino. Pery é mais fácil. Gritado de longe é fácil de ouvir. O som propaga mais.

Era empacotador em um supermercado próximo à rua dos Portugueses, quase esquina com a alameda Afonso Schimidt. Trabalhava lá fazia algum tempo, não mais do que um ano. Não gostava muito do lugar por ser próximo aos dois cemitérios. O de Chora Menino e o judaico. Supersticioso, com medo do além, sempre levava cascudos do amigo Maquininha por causa disso.

Andava à pé para poupar condução. Não que houvesse uma linha de ônibus do Tucuruvi até Santa Terezinha. Seria obrigado a descer em Santana e seguir a pé. E por conta de uns quatro ou cinco quilometros a mais andava então o caminho todo.

Maquininha era seu conhecido do bairro, do Tucuruvi. Pery tinha medo de irritar o amigo. Sabia de seu pavio curto ou de seus rompantes em espancar desafetos ou mesmo quem estivesse por perto, disponivel para apanhar. Se perguntassem diria que maquininha é louco. Mas só se tivesse certeza de que o violento amigo não iria saber de sua opinião.

Filho de uma das poucas famílias de baixa renda do bairro, Pery largara a escola na 6a. série. Desistiu. Estudava na mesma escola estadual de onde Maquininha fora expulso. De lá ainda tinha uma roda de 12 ou pouco mais conhecidos, quase amigos.

Pery estava com pouco mais de 17 anos. Nunca havia namorado. Tivera um relacionamento quando mais novo, lá pelos 13 anos, em uma brincadeira sexual com dois meninos e isso o marcara no bairro. Sempre alguém lembrava que o Pery tinha dado para o Bigué e para o Neno. Isso o mortificava. Não sabia se era homossexual ou não. Não conseguia manter uma auto estima e isso o deixava vulnerável aos ataques maldosos dos que o conheciam.

Mas Maquininha o respeitava e tratava como um igual. Não espezinhava Pery por sua brincadeira de infância. Defendia o amigo embora, às vezes, sem mais nem menos, pudesse praticar socos e pontapés em Pery como em qualquer outro. Além dos cascudos pelo medo do além.

Batista estava distraído com um folheto de uma incorporadora. Prédio de apartamentos com duas suítes e duas vagas na garagem. Salão e academia. Piscina. Cada prestação era quase tudo o que ganhava no mês. Imaginou quantas pessoas iriam morar nas quatro torres, umas 850 a mais no bairro. E sem que isso aumentasse o número de policiais na região. Ficou contando de cabeça: 850 pesoas e seus conhecidos, carros, empregados nas casas, nos edifícios. O comércio em volta. Resignou-se.

Enquanto descia a avenida Nova Cantareira na Blazer viu de longe o rapaz que sempre avistava naquela hora. Moreno, cabelo liso preto. Sabia que era o empacotador do supermercado lá em Santa Terezinha. Aliás, de vista conheica boa parte das pessoas da região. Sabia que aquele rapaz era amigo do arruaceiro Maquininha. O mesmo Maquininha que surrara dois PMs de uma viatura e fugira. O Maquininha que era comentado pelas vêzes em que agredira tantas pessoas e que nas delegacias era conhecido pela habilidade em fugir e nunca ter sido preso. Menor, evidentemente iria para uma unidade especial. Não poderia ficar preso. Sabia que o violento petiz ainda não tinha 15 anos, mas já era um terror.

Pelo rádio ouviu sobre o assalto a uma padaria, lá perto do Colégio Estadual Frontino Guimarães. Sabia que os ladrões já estariam naquele momento bem distantes. Mas mesmo assim mandou ligarem a sirene e partiram para atender a solitação de socorro.

Pery ouviu o barulho da viatura policial e virou-se para ver. Olhando para trás viu também um casalzinho de mãos dadas. Drica e Fred. Viu a menina delicada. Livros nas mãos. Viu o garoto meio desengonçado. Percebeu que eles não eram dali. Nunca os havia visto. Afinal, fazia aquele caminho à pé todos os dias nos últimos meses.

Drica e Fred estavam namorando à moda deles. Ou melhor, à moda dela, pois Fred não era dado a iniciativas e isso permitia que os planos de Drica fluissem tal como concebidos. Estavam naquelas paragens para fugir dos olhares indiscretos e, talvez, maledicentes.

Pery desacelerou o passo. Ficou interessado no casalzinho. Algo atraiu seu interesse além do normal. As roupas dos dois mostravam que suas famílias tinham dinheiro. Os rostos sorridentes mostravam uma alegria vários pontos acima da sua. Invejou o rapaz que tinha uma namorada. Ele, que nunca havia namorado e ainda era apontado como alguém que Bigué e Neno haviam comido. Olhava para a frente e para o casalzinho. Até que eles viraram em uma rua e ele não pode mais observá-los. Foi embora sentindo-se menos do que era. Pobre, com roupas pobres, indo para um emprego à pé. Sem namorada e comido pelo Bigué e pelo Neno.

Maria Sangrenta


Bloody Mary (conhecida também como Maria Sangrenta, Loira do Banheiro, ou Bruxa do Espelho) é uma lenda urbana que faz parte do folclore ocidental (e oriental, como visto em algumas produções do gênero cinematográfico). De acordo com a lenda, caso seu nome seja pronunciado três vezes em frente a um espelho de banheiro, ela aparecerá frente ao convocador e o arrancará seus olhos.
Bloody Mary aparece também no quinto episódio da 1 temporada de Supernatural;

Sai de ré…!! rsrsrs

Boneco Fofão


Diziam por aí que o simpático boneco tinha sido obra de um trabalho de magia negra e quem abrisse sua barriga encontraria uma faca negra. A história tomava contornos de realidade quando, apalpando a barriga você realmente sentia algo pontudo. Para piorar a roupa do Fofão era idêntica a do brinquedo assassino Chucky. Quem conhecer mais alguma lenda post ai nos comentários pra gente morrer de medo dessas também…abração galera!
Caramba, olha o punhal ai…cara o boneco era assim mesmo…verdade!!!